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Médicos alertam para “caos” na medicina familiar


O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) alertou segunda-feira para uma situação de “caos” nas Unidades de Saúde Familiar (USF) e nas Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP), temendo que haja uma “segunda onda de pedidos de aposentação”.

Numa notícia publicada no sítio da Internet do SIM, lê-se que “a agitação é grande no seio das USF” e o sindicato aponta o pagamento das actividades específicas como a razão do descontentamento.

“O que se passa é que a legislação ao nível das Unidades de Saúde Familiar não está a ser cumprida, ou seja, os médicos que estão nas USF deveriam ser remunerados segundo aquilo que é chamado de actividades específicas e não estão a ser de modo coreto, porque esse pagamento não está a ser actualizado e não estão a ser pagos os retroactivos que lhes são devidos”, explicou à agência Lusa um dirigente do SIM.

Por outro lado, de acordo com Jorge Silva, esse não é o único problema ao nível dos cuidados de saúde primários, pois “problemas muito mais graves” são os que se registam nas UCSP.

“Os médicos de família faltam, primeiro porque já havia uma carência de médicos de família, segundo porque essa carência já foi agravada por aposentações antecipadas. A situação começa a ser dramática e caótica, na medida em que o número de médicos de família é insuficiente, o número de utentes sem médico cresce cada vez mais e a resposta tem de ser dada porque as pessoas precisam de cuidados”, denunciou o dirigente do SIM.

De acordo com Jorge Silva, as USF poderiam ajudar a colmatar os problemas das UCSP, mas alertou que para que isso acontecesse “teriam de criar uma carteira adicional de serviços”.

Situação que, na opinião do SIM, levantaria outro problema às USF, porque “se o pagamento não está a ser feito mesmo para a carteira básica, muito menos será feita para uma carteira adicional”.

O dirigente sindical acredita que se chegou a um “ponto de ruptura”, agudizado com os pedidos de aposentação dos médicos de família.

“Estamos à espera de uma segunda onda de pedidos de aposentação por uma razão muito simples: se há uma perda salarial de 10%, e se as pessoas tinham com o pedido de aposentação uma penalização de 12 por cento, muitas pessoas vão pôr os dois valores no prato da balança e vão pedir a aposentação”, defendeu Jorge Silva.

O dirigente do SIM acredita que uma medida que poderia contrariar esta tendência seria a “diferenciação salarial positiva da medicina geral e familiar”.

Contactado pela agência Lusa, o presidente da Associação Nacional das USF (AN-USF) defendeu que estes “são problemas reais, mas que não são de agora” e lembrou que o pagamento das actividades específicas tem sido uma reivindicação da associação durante o último ano.

Bernardo Vilas Boas apontou que a possibilidade de existir “uma segunda onda de pedidos de aposentação” é “um problema legítimo”, mas acredita que dentro das USF continua a existir “uma forte motivação” entre os médicos.
“Só não sabemos até quando é que essa motivação se irá manter”, alertou.

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